Aqueles dois

Aquela amizade mal havia nascido e se transformara em carinho e depois em amor. Eles que nunca haviam trocado olhares, mal viam a hora de se falarem outra vez. Quando enfim chegava a hora, trocavam não só palavras, mas afinidades e um sentimento que mal conseguiam decifrar. Era felicidade. Por trás da tela, ela sorria, não entendia muito bem aonde aquilo iria dar. Ele, por sua vez, sentia uma alegria estonteante arrebatar-lhe o coração, como nunca ninguém o fizera sentir. E como se o tempo parasse e o relógio acelerasse em contradição, entre um teclar e outro, conversavam sem pressa, torciam praquele momento não acabar.

Quem olhava de fora dizia que aqueles dois nada tinham em comum, mas a verdade, é que nas diferenças se completavam. Os traços delicados dela contrastavam com o contorno mais forte dele. Ela tinha um violão, tentou aprender mas desistiu, não tinha paciência para a tal da pestana. Ele era baixista em uma banda de rock, às vezes cantava também. Ela gostava de cantar, mas seu show era no banho. Nas horas vagas, ela se aventurava nas páginas de um bom livro; ele, nos mangás e nas revistas em quadrinhos. Ambos gostavam de séries de TV e compartilhavam um imenso amor por gatos. Quanto mais se conheciam, mais afinidades descobriam, as diferenças já não faziam diferença.

O dia para eles se conhecerem finalmente se aproximava. A ansiedade tomava conta dos dois. Quando o ponteiro marcou a hora exata que o destino preparou, de longe se avistaram, e embora tivessem se visto por foto, houve um reconhecimento de alma, com um sorriso se cumprimentaram. Um passo a mais era um passo a menos para finalmente se olharem nos olhos. Naqueles primeiros segundos o silêncio era mais eloquente que a fala, aqueles dois sorriam com os olhos, as palavras eram desnecessárias, só a presença já bastava. Mas o silêncio não durou muito, para aqueles dois, pausas longas não faziam parte do discurso, eles tinham necessidade das palavras como tinham sede um do outro e, assim, conversaram a noite inteira.

Naquela noite, lá fora, repousava um céu estrelado especialmente arquitetado para aquele encontro, era o Universo dando uma ajudinha. Em harmonia com aquele cenário noturno, no ambiente, tocava uma música dançante. Ela, que era tímida, venceu a timidez e o convidou para dançar; ele, que tinha sua própria maneira um tanto engraçada de dançar, meio sem jeito, não soube recusar. Entre luzes e risadas, passos e compassos, duas almas, dois corações, querendo ser um só.

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