It’s just a matter of time

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Foto: Pexels

28 de Junho de 2008, já passa da meia noite. O telefone toca. A voz trêmula do outro lado da linha anuncia a tragédia. Eu troco de roupa, chamo um táxi e corro pro hospital. No hospital você passa por uma cirurgia de emergência. Quase quatro da manhã. Eu me pergunto por que tanta demora. Talvez seja grave. Mas vai ficar tudo bem. Sempre fica. Olho o relógio, quase cinco. A médica caminha na direção dos que estavam ali por você. Graças a Deus! – exclamamos. Com um olhar que denuncia o que estava por vir, ela balança a cabeça em sentido negativo e quase num sussurro diz: “sinto muito”. Por um segundo a vida para e minha mente tenta processar aquelas palavras. Deve estar havendo um engano. Isso não podia estar acontecendo. Parecia mais cena de filme romântico clichê no qual um dos dois sempre morre. Aquilo não acontece na vida real, não na minha – quanta ingenuidade! A gente nunca acha que pode acontecer com a gente, mas acontece. E assim você partiu… sem aviso prévio, sem abraço de despedida, sem dizer adeus. Os dias seguintes foram bem difíceis. Cada vez que o telefone tocava eu ficava imaginando que era você. Que você diria que tudo não passava de uma brincadeira de mau gosto. Que você estava bem e a vida voltaria ao normal. Mas não. Aquele pesadelo era real e duraria ainda um bom tempo…

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Foto: Pexels

Sete anos se passaram e, quem diria, eu sobrevivi. Tive que remendar meu coração despedaçado e seguir a vida sem meu parceiro de aventuras. Não foi fácil passar pelos lugares onde estivemos, ouvir nossas músicas, reler as cartas que me escreveu sem que uma lágrima caísse involuntariamente. Muitas vezes tive que colocar minha dor no bolso, conter o choro, colocar um sorriso no rosto e dizer pras pessoas que estava tudo bem, simplesmente porque não era hora pra lamentar, porque meu emprego não esperaria meu luto terminar, porque o cliente não merecia ser atendido por uma pessoa que aparentemente morreu e esqueceram de enterrar. Mas no fim do dia, era no travesseiro que eu descarregava toda a minha dor e chorava tudo o que tinha guardado ao longo do dia. Foi difícil… A vida é dura e você tem que ser mais duro ainda. Uma vez me disseram que aquela dor viraria saudade, e não é que tinham razão? As lembranças hoje já não são dolorosas, eu até consigo rir quando lembro daquele teu jeito engraçado de andar e de gargalhar dando leves batidas na mesa, como se quisesse reforçar o motivo que o levou a rir com tanto entusiasmo. É, não há mais dor. Só uma doce saudade. Mas não vou negar que mesmo sete anos depois relembrar essa parte do passado ainda mexe comigo, mas de uma forma diferente. Hoje é fácil sorrir ao lembrar de você. Hoje, eu encontrei a paz e perdoei quem, injustamente, lhe tirou a vida. Portanto, hoje, eu não quero ficar triste, quero recordar com carinho quem um dia me amou como sempre disse que amaria, até o fim da vida.

Do lado de cá só me resta a saudade de quem já foi pro lado de lá.

Let’s forever be together
It’s just a matter of time

O título do post e o trecho acima se referem à música A Matter of Time do cantor Michael W. Smith, música que ele sempre cantava pra mim.   

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20 comentários sobre “It’s just a matter of time

  1. Thaís Gualberto disse:

    Que texto lindo, Líley… Nunca passei por nada parecido, mas sempre escrevo sobre esses sentimentos em meus textos e você usou um termo que uma de minhas personagens usa para se referir a si própria, sobre perder a si própria em meio ao luto… Enfim. Fico feliz que tenha reencontrado a paz e que ainda tenha as boas lembranças do que viveu ao lado dessa pessoa que era tão especial para você. Linda semana! Beijos!

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      • Thaís Gualberto disse:

        Obrigada, Líley! 🙂 E desculpe-me por tê-la levado às lágrimas. Mas fico “feliz” que tenha se identificado, pois minha intenção quando escrevo é exatamente essa, que as pessoas percebam aquilo como real, que eu consiga fazer com que as pessoas sintam o que minhas personagens estão sentindo.
        Beijos!

        Curtido por 1 pessoa

    • Líley Carla disse:

      O amor deixa marcas profundas… perder uma pessoa querida abre uma ferida que leva tempo pra cicatrizar, um dia ela fecha, mas a cicatriz vai estar lá, pra nos lembrar de quem amamos e não está mais entre nós. Desejo, de coração, que sua dor seja aliviada e que o tempo torne tudo mais fácil.

      Um abraço apertado! ❤

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