Além do que se vê

Eu não sou esse rótulo limitado e superficial. Eu não sou o manequim que eu uso e muito menos meu grau de miopia. Sou muito mais que minha altura e meu peso na balança. Aliás, por que as pessoas se interessam apenas pelos nossos números? Quantos anos temos, quantos filhos, quanto ganhamos? Por que não se interessam em nos conhecer além daquilo que apresentamos na embalagem? Eu não me resumo a um conjunto de números, carrego na bagagem uma história só minha e que jamais será vivida outra vez. Eu sou muito mais que algarismos arábicos e uma aparência física. Eu sou os livros que leio, os versos que escrevo, as palavras que troquei, as cartas que guardei. Sou os sorrisos que distribuí, as lágrimas que derramei, as alegrias que vivi, as tristezas que senti. Sou meu riso fácil, meu amor por gatos, minha comida preferida. Sou minhas playlists de faxina, sou os filmes que assisto e minhas séries favoritas. Sou minhas escolhas, os meus erros e acertos, os medos que tenho, os sonhos que almejo, sou também minhas frustrações. Sou as lembranças que guardei, os amigos que cativei, sou um pouco de cada um. Sou o que escrevo, mas não escrevo tudo o que sou. Sou o que se vê, mas depende dos olhos de quem vê.

Eu sou uma porção de coisas. O acúmulo de tudo o que vivi e trago na bagagem.

[de 2010]

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14 comentários sobre “Além do que se vê

  1. Lari Reis disse:

    Textos assim são atemporais. Sinceramente, a gente já deveria ter aprendido tudo isso…
    Penso em quando alguém pede para que eu me descreva. Eu e tantas outras pessoas logo nos definimos pela profissão e diplomas que carregamos. Acho tão chato que seja assim!

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  2. Thaís Gualberto disse:

    Simples e bonito! *-* Esse trecho em especial “ou minhas playlists de faxina, sou os filmes que assisto e minhas séries favoritas. Sou minhas escolhas, os meus erros e acertos, os medos que tenho, os sonhos que almejo, sou também minhas frustrações. Sou as lembranças que guardei, os amigos que cativei, sou um pouco de cada um. Sou o que escrevo, mas não escrevo tudo o que sou.” Me identifiquei muito!

    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

    • Líley Carla disse:

      Talvez seja uma questão de cultura, ao conhecer alguém, as primeiras informações que obtemos são aquelas mais simples e de fácil acesso: idade, estado civil, profissão. O ser humano é único, conhecer alguém requer tempo e intimidade, logo, ficamos na superfície, a profundidade é pra poucos, pra quem a merece. Assim como um livro que muitos só olham a capa, outros só leem a sinopse e poucos leem de verdade.

      Beijos!

      Curtir

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